segunda-feira, 9 de maio de 2016

Templo


seu sorriso
seu olhar, seus cílios
sua voz, sua foz
seus caprichos


suas notas
suas pausas, seus prestos
suas cadências, seus tons
seus nexos


seus temores
sua luz, seus fios
seu contorno, seu pulsar
seu brio


seus ás, sua pele
seus ais, sua pélvis
seus poros, seu suor
seu arrepio, seus tremores
seu eriçar
seu sacro
seu corpo:


meu templo


V.




Imagem: Ismael Caldas









terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Grande

grande
que espaço a comportaria?
não cabe em si mesma
interna: osmótica
quer haja 
quer seja
quer aja
ela é quantas
expansões?
(que engraçados contornos
que não a contornam)


é já noite
grande encolhe
acolhida:
dorme


V.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Faber

o amor

é o que o amor

faz

V.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Fios


em teus fios acobreados
faço a leitura da minha sina,
minha menina

V.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Tempo

por um tempo
o tempo e a vida
calaram
o que hoje você pode
ouvir
bem aqui
nos meus olhos

V.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Deságue

rio
para em você
desaguar

V.

domingo, 26 de maio de 2013

Sona

é teu sono
que às noites
velo, desvelo
e te cubro
com mantos
de afeto

V.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Chronos

Chronos tem sido sutilmente feroz
tem-me
e tem me feito não entender
porque ele, que em mim sopra
a muitos incomoda
(mesmo que nos muitos
ele também sopre)

meu incisivo tempo
torna-se estranhamente paradoxal:
por algumas situações,
me julgo que já soprou demais em mim
fez sulcos
para outras situações,
me julgam que ele soprou de menos em mim
ainda planura

tempo
não quero ver, não quero contar

tempo
quero sentir


V.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Voz

em tocar a tua pele

dei voz às minhas mãos


V.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Pijama

naquele dia eu percebi:

não havia mais bela

no surrado

pijaminha de flanela.

V.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Eu te amo, pássaro que és!

eu te amo, pássaro que és!
em todas as táticas de voo
por todos os riscos de prata que fazes
pelo céu

quando agitas tuas asas em intensa propulsão
e encerras a gravidade
saltando para o alto

quando lutas contra os ventos contrários
e sobre páramos abres tuas asas
nessa busca pela largura
planura, planície
extensão

quando ao fim do dia fincas teus pés
no pico de uma falésia
e do côncavo de tua doçura
perguntas ao silêncio dos ventos
tudo o que já te foi dito
redito

quando aspiras liberdade
com a envergadura de tuas asas

em tuas firmes ou desajeitadas aterrissagens

por tão (in)finita deslizar o infinito
e dentro em mim

eu te amo, pássaro que és!

V.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

E se a vida...

e se a vida
de repente
surpreender
a mim
e a você?

V.

sábado, 20 de abril de 2013

Ar

Às vezes me assusta a forma
como me tira o ar,
como me faz perceber
os teus passos,
como me provoca
cardioversão imediata.

Aqueles traços que admiro
não sei como,
não sei de onde,
o desenho
nos olhos dos olhos
nos meus olhos.

O dia se foi...

V.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Abra os olhos, amor

abra os olhos, amor
não agites tuas mãos
aquieta teu espírito
respira devagar e fundo
calma:
tudo irá bem!

abra os olhos
o que te incomoda são
ilusões
da superficialidade
em teu profundo, não duvides
há sempre
paz

abra bem os olhos, amor
e deixe que essa paz
de quem és
se descanse
em ti.

V.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Festa

você:
festa
em mim!

V.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Dorso

eu sei das estrelas
e de quantas constelações
habitam o universo
do teu dorso.

V.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A vida é preciosa.

V.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Cantos

e eu que vejo
o canto dos teus olhos
que me encanta
quando toca
o canto da boca
com o riso
desses lábios
que nem é boca
e tem rubro contorno
abismo sem perigo

cálido, sublime
de tinta vinho tinto
de carne, úmida
de alma delicada
de sorver
e amar.

V.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Leito

tua pele

é meu leito.

V.

sábado, 8 de dezembro de 2012

E pedi

Ontem vi a Lua
e pedi:
ilumina os olhos dela.

Acordei, vi o Sol
e pedi:
aquece a pele dela.

Vi as flores, os pássaros
e pedi:

encantem a vida dela.

Uma criança corria pelas ruas
iluminada de pureza
e pedi:
abre um largo sorriso dela.

Caminhava pela praia
a brisa me envolvia, não resisti
aos ventos pedi:
leva meu amor até ela.

V.